Acerca da Porcelana

A porcelana deve o seu nome ao seu aspecto translúcido, semelhante à carapaça de um crustácioáceo chamado porcella. Quimicamente, é um silicato complexo de cálcio de alumínio, resistente à acção dos ácidos e das bases. É obtida a partir de uma pasta de caulino (nome derivado do monte Kao-Ling, de onde era extraído) que é uma argila branca muito pura, refractária, que pelo cozimento mantém a cor branca e adicionada de feldspato pouco alterado.

Distingue-se dos outros produtos cerâmicos por ser branca, dura, inteiramente vitrificada, translúcida quando fina e sonora à percussâo. Moldada e cozida - após secagem prévia - entre os 1400-1700º produz peças de uso doméstico e decorativas, normalmente revestidas de um banho feldspático que lhes confere o aspecto vidrado que nos é familiar. A porcelana tem elevada resistência mecânica à tracçâo e à compressâo e, dada a sua textura amorfa e isótropa, sem planos de clivagem, resiste razoavelmente bem ao choque.

Quando da chegada dos europeus ao oriente já na China a arte do fogo era milenar. Pensa-se que o manuseamento de pasta cerâmica neste país data de 5.000a.c. sendo conhecidas peças de proto-porcelana de índole funerária atribuídas ao reinado do lendário imperador amarelo Huang Ti cuja cronologia remonta a 2697a.c. Ciclo marcante é também a dinastia Han (220-206a.c.) com a sua pesada cerâmica vermelha e cinzenta.

Período de grande desenvolvimento económico e cultural regista-se na Era T'ang (618-906) no qual a porcelana foi muito desenvolvida e aperfeiçoada. No entanto, foi na dinastia Ming (1368-1644) que esta indústria angariou grande prestígio celebrizando-se pelos seus azuis e brancos sob vidrado. Seguiu-se-lhe a dinastia Qing (1644-1912) na qual o reinado de Quianlong (1736-1795) foi um período de elevado nível económico e cultural onde a porcelana atingiu uma qualidade rara, tanto na pasta e na forma como na decoraçâo (apogeu da família rosa). É neste período que os europeus fazem grandes encomendas de loiça, nomeadamente a brasonada.

O maior centro de comércio da época é Cantâo, daí muitas vezes também se apelidar a porcelana "de Cantâo" loiça oriunda de outros locais da China e somente comercializada naquele importante centro.

Em finais do século XVIII na dinastia Ch'ien Lung fizeram-se, para exportaçâo, boas imitaçes dos períodos áureos anteriores e no século XIX a decadência, falta de inspiraçâo e inovaçâo foi dominante.

No século XVI a Coreia e o Japâo foram, também, grandes centros de produçâo de porcelana sendo muito conhecida a porcelana de Imari, porto que escova as peças de vários pontos do Japâo tais como Arita e Kutani. Estas produções destacaram-se das demais estrangeiras orientais pela suavidade e elegância das suas decorações.

No século XVIII, quase na mesma data da chegada à Europa do relato do jesuíta francês padre D'Entrecolles, - evangelista na Ásia mas também muito interessado no conhecimento do processo de extracçâo da matéria prima e fabrico da porcelana, um segredo do Celeste Império, na época, muito bem guardado - em 1709 descobriram-se em Meissen, na Saxónia, importantes jazidas de fina argila branca, praticamente igual à utilizada na China de entâo.

Surgiu, assim, a verdadeira porcelana de Saxe a que Johann Friedrich Bottger deu forma.
Noutras partes da Europa outros artífices, trabalhando com as argilas de que dispunham, chegaram a obter pastas idênticas, mas mais frágeis, que se denominaram porcelanas vidradas ou de pasta tenra.

Esta categoria de produtos situa-se entre a faiança e a porcelana, aproximando-se mais destas do que daquelas.
A porcelana de pasta tenra, quando partida, apresenta arestas menos cortantes do que a porcelana verdadeira, pode ser riscada pelo aço, ao passo que esta última nâo é sequer afectada pelo diamante; perde a côr quando colocada em sítio demasiado quente ou quando em contacto com um íquido também muito aquecido.

Usava-se vidro moído para fazer o seu vidrado e imprimir assim dureza às peças mas, a constituiçâo interna da loiça era tenra e frágil.

Vincennes e Sèvres (ver PPS >>>) foram grandes centros manufactores desta porcelana.

A espionagem e o estabelecimento de empregados destes centros pioneiros por conta própria, rapidamente espalharam por toda a Europa e América o "segredo" da composiçâo da pasta de porcelana e assim se massificou a produçâo e utilizaçâo da porcelana, antes apanágio de reis e imperadores.



Garrafa

Porcelana "azul e branco

Dinastia Ming, reinado de Wanli (1573-1619). 28,5 cm
Este tipo de garrafa é frequentemente referenciado como derivado de um modelo persa.
Recuperada em 1976 do navio holandês De Witte Leeuw<, que se afundou em 1613 ao largo da ilha de Santa Helena após uma batalha naval entre quatro navios holandeses e duas carracas portuguesas. Esta garrafa pertence à categoria de peças conhecidas por kraakporselein.

Macau, colecção particular







Travessa rectangular recortada com 4 cantos cortados.

Época Kien Lung, c. 1775.
Decoração da "família rosa", com grande profusão do rosa de Cassius.
Borda e caldeira muito decoradas.
4 reservas na borda decoradas com azul-turquesa.
Peça muito decorativa.
Menor espessura dos esmaltes.